PUCPR integra pesquisa que mostra que máscaras de pano podem impedir a transmissão da Covid-19

Resultados foram publicados na edição de maio da Annals of Internal Medicine, do American College of Physicians

Uma pesquisa intitulada “Cloth Masks May Prevent Transmission of Covid-19: An Evidence-Based, Risk-Based Approach” (“Máscaras de pano podem impedir a transmissão da Covid-19: uma abordagem baseada em evidências e risco”, em português), analisou em que medida as máscaras de pano de uso doméstico são eficazes para evitar a transmissão do Sars-CoV-2. O professor do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Roberto Pecoits Filho, é um dos pesquisadores responsáveis por conduzir o estudo.

Aliado ao distanciamento social, higienização constante das mãos e desinfecção de superfícies, o uso dos artefatos tem sido recomendado por autoridades para frear o contágio da doença. Os resultados foram publicados na edição de maio da Annals of Internal Medicine, do American College of Physicians, uma das revistas médicas especializadas mais citadas e influentes do mundo. 

Máscaras de pano são eficazes

Para elaborar o artigo, Pecoits Filho trabalhou com nove pesquisadores internacionais, oriundos de Canadá, Holanda, Reino Unido, Austrália, Alemanha, Estados Unidos e Suécia. Segundo os cientistas, a maioria das transmissões virais ocorre por meio de partículas de secreção, sejam aerossóis ou gotículas, geradas diretamente pela fala, alimentação, tosse e espirros. “O pano tem a capacidade de bloquear essas partículas, sendo que quantidades maiores de camadas de algodão aumentam a eficiência. Nesse sentido, haveria evidências consistentes de que muitas (mas não todas) máscaras de pano podem ser eficazes não apenas na redução da contaminação do ambiente pelo coronavírus, mas por qualquer vírus”, diz Pecoits.

“A proteção externa de máscaras de tecido foi extensivamente estudada nas últimas décadas e os resultados são altamente relevantes hoje. Em comparação com a recuperação de bactérias de voluntários sem máscaras, uma máscara feita de musselina e flanela reduziu as bactérias recuperadas em 99,3% a 99,9%, o total de microrganismos no ar em 99,5% a 99,8% e as bactérias recuperadas de aerossóis entre 88% a 99%”, diz.

máscaras de pano

Outros cuidados também são importantes

Devido à gravidade da pandemia e a dificuldade de seu controle, os pesquisadores recomendam o uso doméstico das máscaras de pano, mas ressaltam a necessidade de reforçar a divulgação de mensagens claras e educativas quanto ao uso correto do artefato e sobre a necessidade de não deixar de lado outros cuidados, como o isolamento e a assepsia das mãos. “Uma medida de prevenção, afinal, não substitui a outra”, conclui.

A pesquisa completa está disponível aqui.

Fonte: PUCPR.