Papa Francisco doa equipamentos para Hospital São Francisco, no Rio de Janeiro

Segundo país mais afetado pela pandemia, o Brasil contou com um reforço singular no combate ao coronavírus. Além de interceder pelos brasileiros e por todo o mundo, o Papa Francisco fez a doação de 24 equipamentos de saúde para seis hospitais brasileiros, enviados através Esmolaria Apostólica do Vaticano e a empresa Hope Onlus Association.

Na Arquidiocese do Rio de Janeiro, a unidade contemplada foi o Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF), que recebeu quatro ventiladores e um aparelho de ultrassom. O mesmo foi visitado pelo Pontífice, em 2013, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude

A entrega oficial dos aparelhos aconteceu durante uma cerimônia na praça do hospital, seguida de uma missa presidida pelo arcebispo do Rio, cardeal Orani João Tempesta, na manhã do último dia 30 de agosto. “Rezamos na intenção de todos os benfeitores que tornaram possível a doação desses equipamentos. Graças à intercessão do Papa Francisco e a sua preocupação com o mundo inteiro, muitos lugares do mundo recebem esses aparelhos. E, hoje, nós também somos contemplados, através da Hope Onlus Association, que tem trabalhado para responder aos apelos do Pontífice”, afirmou o cardeal.

Na ocasião, dom Orani ressaltou que “o Santo Padre tem atuado em várias frentes do mundo inteiro, com doações em dinheiro e materiais. Os respiradores são aparelhos que o Pontífice tem enviado para muitos países. É uma alegria poder ver a benevolência do Papa e da empresa Hope, a qual financiou os aparelhos”, disse.

Na local, também estiveram presentes os emissários do Papa Francisco e representantes da Hope, Paolo Tachine e Antonio Guizzetti. “Esse é o final de uma história de solidariedade com três protagonistas importantes: os bispos do Brasil, que evidenciaram necessidade de equipamentos para o país; o Papa, que entendeu a solicitude dos bispos, e a Hope, que foi o instrumento operacional para realizar essa missão. Agradeço aos filantropos italianos que possibilitaram a compra das máquinas mais sofisticadas do mercado. Esses aparelhos podem ajudar a salvar vidas, isso para nós é um orgulho. Além disso, esse é um hospital que faz muito com pouco. Agradeço a todos pela ajuda que é muito preciosa para o Rio de Janeiro”, apontou Guizetti.

Um tempo de milagres

Representando o corpo clínico do hospital, o médico Pedro Tibúrcio destacou que “por meio de equipamentos, os pacientes terão a saúde garantida, mas através de pessoas, terão a experiência contínua do amor. Recebemos, com muita alegria, os aparelhos e nos comprometemos em transformar ainda mais a saúde neste hospital. Esses aparelhos significam que não podemos parar, que fomos lembrados disso por um papa tão querido que tem transformado o mundo. Portanto. Também nós, no dia a dia, temos de transformar para melhor o que fazemos. A pandemia nos trouxe muitas tristezas, perdemos pessoas e mexemos com realidades que não esperávamos. Mas ela também nos fez dar o melhor de nós mesmos: quando não tínhamos aparelhos ou medicamentos, demos o nosso jeito e fizemos acontecer. E descobrimos que o que importa mesmo é o humano, e que em cada humano há presença contínua de um Deus que não se cansa de fazer milagre. O milagre são esses aparelhos”, completou.

Para o diretor do HSF, frei Paulo Batista, a doação é uma confirmação da missão do hospital e do carisma dos membros da fraternidade. “Isso reforça o nosso coração o sentido de ser Igreja. Não somos um hospital isolado ou um mero local de assistência, mas, sobretudo, uma ação evangelizadora. Quando o Papa nos escolhe, ele confirma nosso carisma, nossa ação e nos convida a sermos melhores ainda como evangelizadores e um saúde de assistência.

Ele também recordou os primeiros passos da pandemia no hospital. “No mês de março, ainda no início da pandemia, chegamos a ter cinco Centros de Tratamento Intensivos (CTIs), totalizando 50 leitos, todos destinados aos pacientes com covid. Além disso, quatro andares também foram disponibilizados, tendo, assim, 40 leitos para as unidades em apartamentos e enfermarias”, lembrou.

Segundo ele, a pandemia foi um período dificultoso, porém, repleto de aprendizado. “Esse período de pandemia nos fez sofrer muito, com situações de perdas de amigos, profissionais que adoeceram, muitas pessoas que lutaram pela vida e partiram. Mas o bonito é ver que os profissionais das mais diversas áreas deram o melhor de si, numa assistência humanizada e espiritualizada, e vimos o milagre acontecer, principalmente o da união e da partilha. Eles se doaram, renunciaram momentos com a família, fins de semana e foram além de um mero cumprimento de horário”, exclamou.

Embora os números da covid no Brasil ainda sejam alarmantes, frei Paulo sinaliza uma esperança em virtude da redução do número reduzido infectados no hospital. “Atualmente, fechamos vários setores da covid e outros migraram para a clínica geral e outras atividades. Temos apenas nove pacientes no setor de coronavírus e seis pacientes nas unidades. Não significa que todos estejam positivados. Estão em tratamento, sendo analisados. Mas isso aponta para uma grande redução no número de casos no hospital”, reforçou.

Missão amor que cura

A missão de salvar vidas vai além dos muros do hospital. Com o intuito de levar atendimento médico àqueles que estão privados de liberdade, o Hospital São Francisco na Providência de Deus também realiza o projeto voluntário intitulado “Missão amor que cura”.

Entretanto, devido a pandemia, os atendimentos ficaram suspensos por três meses. Porém, uma parceria entre a missão, a Conexa Saúde e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) viabilizou a retomada das atividades, através da telemedicina.

De acordo com o coordenador da missão, frei Paulo Batista, “a Conexa Saúde nos ofereceu de forma gratuita a plataforma que conecta nossos médicos voluntários aos presidiários. A Seap viabilizou a realização dos atendimentos remotos dentro das unidades carcerárias, além de indicar onde acontecerão os atendimentos e fazer a triagem dos pacientes para as teleconsultas. A missão, além de prover os médicos que se voluntariam para esses atendimentos, fornece os medicamentos prescritos aos doentes”, explicou.

Os atendimentos serão realizados três vezes por semana, por oito médicos voluntários. Enquanto os paciente com casos mais leves são medicados na própria unidade carcerária, aqueles em situações mais graves são encaminhados para uma consulta presencial em uma unidade de pronto atendimento. Dentre os problemas de saúde mais recorrentes entre os presidiários, estão infecções de pele, alergias respiratórias e tuberculose, além de doenças crônicas como hipertensão e diabetes.

A Missão amor que cura no Cárcere é realizada desde julho de 2017, sendo um desdobramento da Missão amor que cura, criada em 2015, e idealizada pelo frei Paulo Batista, com o intuito de levar atendimento médico e doações de roupas e alimentos às pessoas em situação de rua, no antigo aterro sanitário de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias.

Fonte: Vatican News.